Abas primárias

Democracia Corintiana

Vídeo - São Paulo, SP

 

DOCUMENTÁRIO

COMO O FUTEBOL EXPLICA O MUNDO. A DEMOCRACIA CORINTIANA E A REDEMOCRATIZAÇÃO DO BRASIL

 

  • DURAÇÃO: 68 minutos

  • FORMATO: 16/9

  • RESOLUÇÃO: 1920X1080

 

O futebol é o ópio do povo. Antes comum, hoje nem tanto; esta afirmação não expressa toda a realidade. Se a maior paixão nacional foi utilizada para anestesiar consciência, também já foi empregada em causas nobres.

O objetivo do documentário é lançar luz sobre a história recente do Brasil, tendo o futebol como protagonista de um processo de educação política em massa. Foi através da Democracia Corintiana que a causa da liberdade ganhou capilaridade, atingindo camadas da sociedade até então refratárias ou indiferentes aos destinos da política nacional. A experiência vivida pelo Corinthians no biênio 1982/1983 semeou a campanha pelas “Diretas Já”, responsável por jogar uma pá de cal no regime instalado em 1964. Um case político ainda pouco explorado.

 

HOJE VOCÊ É QUEM MANDA. FALOU TÁ FALADO. NÃO TEM DISCUSSÃO.

Início dos anos 80. A Ditadura Militar instalada em 1964 fazia água por todos os lados. Esgotada, não tinha mais nada a oferecer ao País. A elite intelectual desejava a democracia, mas parcelas expressivas da população eram hostis ou indiferentes à causa da liberdade.  Afirmações como “o brasileiro não sabe votar”, “vai virar bagunça” ou “as pessoas não estão preparadas” eram comuns. A virada precisava do povo na rua, para empurrar os generais do Planalto e legitimar a desejada democracia.

Mas como engajar a população, principalmente as bases da pirâmide social, numa causa que não conheciam direito ou para as quais os contornos eram vagos? A resposta óbvia seria através da educação política. Mas como promover este processo num ambiente com baixa escolaridade e, portanto, enormes dificuldades em absorver ideais e conceitos abstratos? Sem contar que o mundo era bem diferente: inexistia internet, redes sociais, tv a cabo ou streaming. Ou seja, os canais de comunicação eram reduzidos, sem contar a censura, que pairava como uma sombra de mau augúrio sobre o País.

 

 

A MINHA GENTE HOJE ANDA FALANDO DE LADO E OLHANDO PRO CHÃO

 

Gerador de atração e engajamento, o futebol ultrapassa as fronteiras do esporte, funcionando como canal de insatisfações sociais ou catalisador de modificações políticas. 

Há duas maneiras de se contar a história do Alvinegro de Parque São Jorge do início dos anos 80. A primeira e mais óbvia é focar no discreto charme da burguesia do Dr. Sócrates, com seus refinados toques de calcanhar; na impetuosidade e rebeldia do acossado Casagrande ou, então, na velha garra corintiana encarnada por Wladimir, tal qual como um Spartacus. Um time vencedor que marcou época. Porém, há outro jeito de se ver.

A eleição de 1981 legou ao Corinthians uma diretoria diferente da cartolagem tradicional, reunindo idealistas como publicitário Washington Olivetto, o sociólogo Adilson Monteiro Alves entre outros. Além de modificar os carcomidos parâmetros administrativos do esporte, eles queriam que o futebol contribuísse no delicado momento político vivido pelo País, difundindo a democracia. Dali por diante, todas as decisões do Departamento de Futebol – desde se haveria ou não concentração as vésperas dos jogos até a contratação de reforços – seriam tomadas de forma coletiva, com voto paritário de atletas e membros da comissão técnica. Uma experiência revolucionária.

 

 

APESAR DE VOCÊ AMANHÃ HÁ DE SER OUTRO DIA

Com o processo em andamento, o clube ficou no olho do furacão. Não apenas os resultados em campo, mas tudo o que envolvia o Corinthians era esmiuçado pela imprensa, inclusive a estrangeira. Uns festejavam; outros taxavam o experimento de bagunça e anarquia. Mas o importante é que a ideia de um regime democrático passou a habitar o imaginário de pessoas que, até então, não tinham interesse ou noção sobre os rumos políticos do País.

Coube a Democracia Corintiana traduzir para a população o funcionamento da democracia. Interessante é que as informações não eram embaladas em teorias ou conceitos abstratos, chatos e de difícil assimilação, mas chegavam através da prática diária, da administração cotidiana dos problemas, de tal sorte que mesmo os mais simples compreenderam os contornos deste regime.

As coincidências da história são sempre fascinantes. De fato talvez não houvesse equipe mais talhada e adequada para conduzir este processo do que o Corinthians, o time do povo, dos pretos de tão pobres e dos pobres de tão pretos. Afinal, os anos de ditadura coincidiram com a longa espera por títulos. Na fila, corintianos viram seus maiores rivais brilharem e enfileirarem conquistas, seja com as duas academias do Palmeiras ou o Santos magistral de Durval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Enquanto o Corinthians era taxado de “Faz me Rir”. Mas o seu povo permaneceu fiel, mesmo na noite mais escura, como atesta a invasão do Maracanã na semifinal do Brasileiro de 1976 contra o Fluminense. Igualmente, durante as trevas da Ditadura, quando nos porões mortes e torturas eram largamente praticadas e na superfície os generais quase atingiram a unanimidade popular com a farsa do chamado Milagre Econômico, houve quem nunca perdeu a esperança de lutar pela democracia. A redenção esportiva veio em 1977. Faltava a redenção política.

 

VOCÊ QUE INVENTOU A TRISTEZA, ORA, TENHA A FINEZA DE DESINVENTAR.

 

Para o sucesso da Democracia Corintiana, não bastaria uma diretoria disruptiva. Era igualmente necessário que os jogadores fossem excepcionais. E eram. Sócrates, Casagrande, Zenon e companhia opinavam sobre política, costumes e cultura. Não se restringiam ao universo normalmente afeito aos boleiros; articulados, iam a manifestações artísticas, políticas e frequentavam programas variados. Verdadeiros arautos da liberdade que amavam a vida e queriam desfrutá-la em sua plenitude.

 

 

EU PERGUNTO A VOCÊ AONDE VAI SE ESCONDER DA ENORME EUFORIA

O time da “Democracia Corintiana” foi bicampeã paulista de 82 e 83, numa época em que os estaduais tinham valor. Os títulos agregaram prestígio à experiência, demonstrando que a democracia, além de trazer liberdade, funcionava. A entrada em campo dos atletas alvinegros na final do Paulista de 1983 com a faixa “Ganhar ou perder, mas sempre com democracia” marcou uma geração.

 

 

COMO VAI PROIBIR, QUANDO O GALO INSISTIR EM CANTAR? ÁGUA NOVA BROTANDO. E A GENTE SE AMANDO SEM PARAR.

 

Foi através do futebol que parcelas expressivas da população compreenderam a democracia e, assim, conseguiram se posicionar diante dos acontecimentos da vida nacional. A “Democracia Corintiana”, mais do que vender um regime político, vendeu um estilo de vida baseado na liberdade. Teve vida efêmera, mas foi fundamental na construção do consenso democrático, como ficaria amplamente constatado na campanha pelas “Diretas Já” que tomou ruas e praças do Brasil em 1984, empurrando a história para frente.

 

 

 

 

 


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Emerson Oliveira Bueno
  Emerson Oliveira Bueno
  

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