Projeto Refauna - Conhecer para Conservar

Animais – Rio de Janeiro, RJ

Um pouco + sobre os animais do Refauna - Parte II

Em setembro de 2015, o projeto teve seguimento com a reintrodução do bugio-ruivo (Alouatta guariba clamitans), também no Setor Floresta. Até o momento, 6 indivíduos foram soltos. Destes, apenas um casal e seu filhote nascido na natureza ainda persistem no parque. Dois animais tiveram que ser removidos por conta de interação com visitantes do Parque. Mesmo assim, foi observado que 82 espécies de plantas tiveram suas folhas ou frutos consumidos pelos bugios. Além disso, 21 espécies de besouros rola-bostas foram encontrados nas fezes desses primatas, favorecendo assim a dispersão secundária de sementes.
Como o Parque Nacional da Tijuca possui poucos frugívoros de médio e grande parte, as reintroduções da cutia e do bugio podem ter consequências importantes para a regeneração da floresta, através do favorecimento de espécies arbóreas de sementes grandes (>1,5 cm), características de florestas mais maduras. As próximas espécies candidatas para a reintrodução no Parque Nacional da Tijuca e que já estão em fase de estudo de viabilidade são o jabuti-tinga (Chelonoidis denticulatus) e o pássaro trinca-ferro (Saltator similis), cuja soltura de indivíduos deve acontecer em 2018. No mês de dezembro de 2017, também como parte do Projeto REFAUNA, foi iniciada a reintrodução de antas (Tapirus terrestris), o maior mamífero neotropical, que estava extinto há quase 100 anos no estado do Rio de Janeiro, na Reserva Ecológica de Guapiaçu (REGUA), em Cachoeiras de Macacu.
Já conseguimos muitas coisas nesses anos de projeto, porém, contamos com a ajuda de todos para que esse projeto continue existindo e com muito mais engajamento. Estamos nos últimos dias da campanha de crowdfunding no Kickante, não deixe de contribuir!

Um pouco + sobre os animais do Refauna - Parte I

Mais um post sobre elas, as cutias! Não, dessa vez também tem bugios, jabutis e antas! Hoje vamos falar mais um pouco sobre os processos de reintrodução e um breve histórico sobre os animais do Projeto Refauna.
Se você acompanha o Instituto Conhecer para Conservar nas redes sociais, sabe que as cutias são os animais mais citados do Projeto Refauna. As que já foram reintroduzidas no Parque Nacional da Tijuca vieram do Campo de Santana, um parque urbano localizado no centro da cidade do Rio de Janeiro. Lá, elas eram capturadas e depois passavam por quarentena no Zoológico do Rio de Janeiro, onde eram realizados exames para atestar sua saúde. Entre 2010 e 2014, 31 cutias foram levadas para a floresta. Os indivíduos liberados no Parque foram monitorados pela técnica de radiotelemetria, permitindo avaliar a sua sobrevivência e eventos reprodutivos, o uso do espaço, dieta e o restabelecimento de interações ecológicas com espécies de plantas. Entre os anos de 2013 e 2015, foi realizado um trabalho de estimativa do tamanho populacional das cutias utilizando armadilhas fotográficas. Esse trabalho mostrou que a população apresenta crescimento positivo, com estimativa de 30 indivíduos adultos, todos nascidos na natureza, indicando que a reintrodução teve sucesso em médio prazo. Como os setores do Parque Nacional da Tijuca não são unidos e estão imersos em matriz urbana, a probabilidade de dispersão de indivíduos do setor Floresta para os outros setores pode ser considerada baixa. Visando aumentar a probabilidade de persistência da população de cutias no Parque Nacional da Tijuca, indivíduos de cutias serão reintroduzidos no setor Serra da Carioca em 2018. Desta vez os indivíduos serão capturados a partir de uma população de cutias soltas no RioZoo.

... amanhã contaremos mais na parte II !

Conheça a história do Projeto Refauna!

O post de hoje é dedicado a contar um pouco mais sobre o Projeto Refauna, sua história e objetivos. Nossa meta principal é reintroduzir populações de espécies em locais onde as mesmas foram perdidas e, assim, restaurar processos ecológicos. O projeto é uma colaboração entre pesquisadores do Laboratório de Ecologia e Conservação de Populações da UFRJ, do Laboratório de Ecologia e Conservação de Florestas da UFRRJ, do Laboratório de Ecologia e Manejo de Animais Silvestres do IFRJ, Parque Nacional da Tijuca (ICMBio), FIOCRUZ e Centro de Primatologia (INEA). Atualmente é financiado pela Fundação Grupo O Boticário de Conservação da Natureza, CNPq, Faperj e Instituto Conhecer para Conservar.
O projeto começou em 2010 com a reintrodução da cutia vermelha (Dasyprocta leporina) no Parque Nacional da Tijuca (PNT), Setor Floresta. O PNT é um fragmento de Mata Atlântica localizado no meio da cidade do Rio de Janeiro, ou seja, é completamente imerso na cidade. O Parque tem um histórico de degradação em decorrência da exploração de madeira, agricultura e caça desde o século XVII. Isso fez com que fosse necessário o plantio de árvores em parte do Parque para a sua restauração para fins paisagísticos e manutenção da água. Mesmo assim, muitas espécies de animais não conseguiram retornar à floresta, principalmente pelo fato da área ser cercada por uma matriz urbana.
O objetivo do Projeto REFAUNA é dar uma mãozinha para essas espécies e reintroduzi-las no Parque e, assim, recuperar também os processos ecológicos, a biodiversidade e a sustentabilidade da área.

Projeto Refauna explica: defaunação e refaunação

Com o crescimento e desenvolvimento das populações humanas, grande parte das matas foram modificadas e fragmentadas. O bioma que mais sofreu com este processo foi a Mata Atlântica, que está localizado na costa do país, é a região que foi primeiramente colonizada pelos europeus e hoje concentra a maior densidade da população brasileira. Hoje restam aproximadamente 16% de sua cobertura vegetal original. Além da perda de habitat causada pelo desmatamento para exploração de madeira e para a agricultura, os animais sofrem com a caça. Todo esse processo nos trouxe hoje ao que podemos chamar de florestas vazias. Nós podemos enxergar uma mancha de floresta, com suas árvores grandes e frondosas e pensar que está tudo bem ali. Mas não está! Se caminharmos em uma floresta como o Parque Nacional da Tijuca (PNT), vamos perceber frutos caídos no chão embaixo de suas plantas-mães, escutaremos poucos cantos de aves e observaremos pouquíssimas espécies de mamíferos. Tudo isso indica que nossas florestas não estão funcionando como deveriam. Os animais desempenham papeis importantes para o funcionamento do ecossistema. As plantas oferecem seus frutos, geralmente coloridos e bastante nutritivos para que os animais se satisfaçam com eles e ajudem a dispersar suas sementes. As sementes têm muito mais chances de germinarem e se desenvolverem quando estão longe de suas mães. Então, com a falta de espécies de animais, esse processo de dispersão de sementes é diminuído ou perdido prejudicando a manutenção da comunidade vegetal. Quando os adultos de plantas começarem a morrer, podemos não ter indivíduos jovens para ocuparem seu lugar, então, nossas florestas ficarão cada vez mais empobrecidas. Uma ferramenta que vem sendo muito utilizada no mundo para reverter esse processo de defaunação é a reintrodução de espécies. Esse método visa reconstruir uma população de uma espécie localmente extinta em uma determinada área. Uma reintrodução, além de contribuir com a conservação da espécie, tem o objetivo de recuperar os processos ecológicos perdidos junto com a espécie no passado. Para garantir o sucesso da reintrodução é necessário um monitoramento continuo da população. Desta forma é possível avaliar se a população está crescendo demais ou de menos e se existe a necessidade de alguma intervenção de manejo. Também é possível avaliar em quais processos ecológicos a nova população está atuando. Este é o nosso objetivo: trazer mais vida e recuperar a biodiversidade das nossas florestas!

Reintrodução das Novas Cutias

O post de hoje é novamente dedicado às nossas queridas cutias, e não é à toa! A população de cutias do Parque Nacional da Tijuca receberá um reforço de indivíduos a partir do começo de 2018. As novas cutias serão reintroduzidas no Setor Serra da Carioca, ao lado do Corcovado. Os indivíduos já estão sendo capturados na população de cutias soltas no RioZoo. Elas passarão por um processo de quarentena no próprio RioZoo, onde são realizados exames para atestar a sua saúde. Além disso, os indivíduos recebem marcações únicas para que seja possível identificá-los, já que as cutias não possuem marcas individuais naturais. As marcas são: brincos numerados nas orelhas, descolorimento do pelo e algumas recebem ainda colares com rádio-transmissores coloridos. Esses rádios transmissores emitem um sinal que é captado por um receptor usado pelos pesquisadores para localizar o animal e segui-lo, marcando suas localizações com um GPS. Esses dados são usados para avaliar o uso do espaço pelos animais como, por exemplo, o estabelecimento da área de vida e seu tamanho, a média de deslocamento diário do animal, dentre outros comportamentos.
Após o período de quarentena no RioZoo, as cutias serão transferidas para cercados de aclimatação construídos no Parque onde ficarão entre uma a duas semanas. Esse período de aclimatação serve para que as cutias se acostumem com o clima e alimentos encontrados no Parque Nacional da Tijuca. As portas dos cercados serão abertas e as cutias estarão livres para explorarem o local e se estabelecerem. E assim, trarão mais vida para a floresta carioca!
Agora que você conheceu melhor o processo de reintrodução das cutias, que tal dar a sua contribuição para o Projeto Refauna? Com você, conseguiremos atingir o objetivo de levar mais vida para a Floresta da Tijuca!