Projeto Refauna - Conhecer para Conservar

Animais – Rio de Janeiro, RJ

Paca, Tatu, Cutia sim!

O post de hoje é sobre um dos principais animais do Projeto Refauna: A cutia. Sendo um roedor de médio porte, que pesa entre três e cinco quilogramas, a cutia é encontrada nas florestas tropicais da América do Sul. São animas diurnos, frugívoros e que desempenham um papel importante na dispersão de sementes de tamanho grande. Esse papel está relacionado ao seu comportamento de estocar alimentos: elas enterram sementes para consumo em um momento futuro quando possa haver escassez de alimento. Muitas vezes elas se esquecem dessas sementes enterradas, o que favorece a germinação, pois ao ser enterrada, a semente está em um microambiente ideal para o seu desenvolvimento. Além disso, foi observado um comportamento de roubo de sementes entre indivíduos de cutias. Ou seja, uma cutia rouba sementes enterradas por outra cutia, enterrando-as em outro lugar. Esse comportamento ajuda a dispersar as sementes para locais cada vez mais longe de sua planta-mãe, diminuindo assim a competição entre plântulas e favorecendo o seu desenvolvimento em adultos. Isso mostra o quanto as cutias são importantes para a regeneração das florestas. Porém, as cutias estão ameaças pela perda de habitat causada pelo desmatamento e sofrem grande pressão de caça.
Este incrível dispersor de sementes não era encontrado no Parque Nacional da Tijuca (PNT) há décadas, até que foi reintroduzido em 2010 pelo Projeto REFAUNA. O PNT é um fragmento de Mata Atlântica localizado na cidade do Rio de Janeiro, ou seja, é completamente cercado por cidade. O Parque tem um histórico de degradação ambiental e as cutias foram escolhidas para ajudar na recuperação das interações e processos ecológicos perdidos ao longo do tempo na área.
Entre os anos de 2010 e 2014, foram reintroduzidas 31 cutias no Setor Floresta do PNT, trazidas do Campo de Santana. Entre 2013 e 2015 foi realizado um estudo de estimativa do tamanho populacional das cutias na área de soltura, que concluiu que a população está em crescimento e que existem 30 indivíduos na população, todos nascidos na natureza. Apesar do crescimento, a população ainda ocupa uma porção pequena da área do Parque. Visando aumentar a probabilidade de persistência da população e a sua área de ocorrência no Parque, novas cutias serão soltas! Dessa vez a soltura será no Setor Serra da Carioca, ao lado do Corcovado. E os indivíduos virão da população de cutias soltas no RioZoo.Agora que você conheceu melhor o processo de reintrodução das cutias, que tal kickar conosco?

Bugios reintroduzidos dispersam frutos na Floresta

Durante muitos anos a área que hoje é conhecida como o Parque Nacional da Tijuca foi usada para o plantio de café, cana-de-açúcar e outros insumos. Enquanto as grandes fazendas ocupavam o habitat de muitas das nossas espécies, estas foram sumindo da região. Dentre elas estava o bugio (Alouatta guariba), um dos grandes primatas da Mata Atlântica. O bugio é conhecido como a "vaca da floresta", pois passa o dia inteiro se alimentando de folhas e frutos - uma atividade muito importante porque ajuda as plantas a se dispersarem pela mata. Em 2015, uma família de 4 bugios foi reintroduzida na Floresta da Tijuca: era a primeira vez que a região via indivíduos dessa espécie desde sua extinção. Só que, por serem primatas, a reintrodução deles não é uma tarefa simples. Os bugios reintroduzidos precisam reaprender a ficar no alto das árvores, sem descer pro chão; também não podem interagir com os turistas e, sobretudo, não podem aceitar alimentos oferecidos pelos frequentadores do parque. Além disso, os bugios vivem em grupos, então é muito importante reuni-los. Hoje temos uma família composta pela Kala, o Juvenal e o Tupi, o nosso filhote! Mas, para refaunar o Parque da Tijuca com bugios, ainda precisamos de muitos outros indivíduos - e para que o projeto continue a todo vapor, contamos com a sua colaboração! Vamos kickar?