Livro: Pequeno Teatro da Civilização Ocidental

Livros – São Paulo, SP
Dennys Andrade 2 semanas

Ato VIII - Revoluções, da Burguesia aos Estados Na

A consolidação dos reinos feudais como centros de poder duradouros em torno da expansão e da unificação dos Ducados foi determinante na formação dos estados europeus. As guerras exigiam taxas e impostos cada vez mais altos, o que aumentava a pressão da burguesia ascendente por participação e poder político. Esse processo, de criação dos Estados Nacionais, ocorreu de maneira gradual em direção ao parlamentarismo, ou abruptamente, com a ruptura radical com a monarquia. O fim da Idade Moderna foi marcado pela conquista da liberdade, mas também por muito sangue.

Descrição da cena: deputados debatem sobre o confisco de propriedades e a abolição de taxas e impostos, enquanto populares ovacionam os mais radicais, atacando os que insistem na prudência

PIERRE Segundo os direitos naturais, todos os homens são iguais. O camponês não é inferior ao senhor em cuja terra ele trabalha
LOUIS Quem não trabalha pelo próprio pão não merece a terra!
HENRI A terra deve ser de todos!
OLIVIER Sim, esses senhores já exploraram o povo por muito tempo! Vamos confiscar a propriedades deles e pôr fim à posse hereditária de todas as terras!
LOUIS Apoiado!
PIERRE Sugiro ir além! Vamos abolir todos os impostos e taxas, e todos serão livres para decidir o quanto podem pagar
LOUIS Fantástico!
HENRI Um viva para Emannuel!
LOUIS/HENRI Viva! Viva!
RAUL Calma, senhores. Tenham calma, não tomemos medidas precipitadas. Temo que esse modelo de arrecadação não será suficiente para cobrir as despesas básicas
HENRI Não seja covarde, Raul! A revolução não é para covardes!
RAUL Estou sendo razoável. Muitos não pagarão, e o peso das contas cairá sobre poucos patriotas
LOUIS Traidor! Diga logo, é contra a revolução?
HENRI Quer parar na guilhotina?
RAUL Não, de modo algum!
OLIVIER Milhões de franceses sofreram com impostos abusivos e agora fazem sua liberdade com as próprias mãos!
RAUL Mãos sujas de sangue
PIERRE A liberdade exige uma renovação completa! Novas ideias, novas leis, novos costumes... É preciso destruir tudo para poder criar um novo mundo!
RAUL A violência tolerada em nome do benefício público é sempre insaciável. Eu me nego a aprovar tal coisa! (Retira-se)
OLIVIER Não lhe deem ouvidos! O terror é apenas a justiça imediata, pela qual a República derrotará os inimigos da liberdade!
LOUIS/HENRI Oliver! Olivier! Olivier!

Dennys Andrade 2 semanas

Capítul III - Período Clássico: Das Leis à Cultura

Ato III: Das Leis à Cultura

Cléripe Senadores e demais homens livres aqui reunidos, fica a pergunta, como vamos resolver este impasse?
Címon Caro Cléripe, todos os senhores aqui presentes podem votar e serem votados. Não existe forma mais perfeita e mais democrática de escolha
Cléripe Senador, não estamos dizendo que a escolha pelo voto seja ruim. Apenas mostrando que ela não é justa o suficiente
Címon Como não é justa? O próprio Clístenes não seria mais ousado!
Tesefião Um momento Senador Címon, deixe-o falar
Cléripe Todos nós, homens livres, ricos e pobres, podemos votar e ser votados. Porém, o poder político, permanece sempre com as mesmas famílias
Címon A fortuna de algumas famílias não é motivo de desonra, é uma virtude que deve ser valorizada!
Tesefião Concordo Senador Címon, o poder e a riqueza de um homem não são motivo de desonra
Címon Obrigado, Senador
Tesefião Porém, a riqueza herdada ou adquirida tampouco são uma virtude, mas rendem sempre muitos votos. Eu vou dar razão a Cléripe
Címon Caro senador, está afirmando que eu não tenho a virtude necessária para o cargo por ser de uma família aristocrática?
Tesefião De modo algum! Apenas recordei que a virtude que queremos é somente aquela adquirida pela prática recorrente da ética. Quando se pratica o correto mesmo sem a obrigação de fazê-lo.
Cléripe Pelo mesmo motivo não devemos votar em um bom pagador de impostos. Não existe virtude na ética passiva, quando se age involuntariamente ou por coerção.
Címon E qual é a sua proposta, caro Cléripe? O que poderia ser melhor do que a escolha pelo voto?
Cléripe Caros senadores, eu proponho um método que trate a todos igualmente, sob as mesmas regras e sem distinção: um sorteio!
Tesefião É realmente uma proposta interessante. Porém, como todos poderiam participar, não corremos o risco de escolher alguém sem a virtude necessária?
Cléripe Todos os homens livres podem participar do sorteio, mas assim como nos cargos eletivos, o escolhido deverá ser virtuoso e cumprir com os critérios atuais
Címon Não vai funcionar, podemos sortear alguém que more longe, no interior ou no litoral. Não podemos depender de alguém que ficará a maior parte do tempo ausente desta assembleia
Tesefião Todos os cidadãos têm o direito à palavra, à igualdade das leis e à participação política. Podemos pensar em alguma forma de compensação financeira.
Cléripe Ninguém deverá ser penalizado em seu direto à plena democracia. Perfeito Senador! Acho que conseguimos

Dennys Andrade 1 mês

Capítulo IV, Antiguidade, da Cultura à Barbárie

Luiz Aguilar empresta sua voz charmosa para os personagens do Capítulo IV do livro PEQUENO TEATRO DA CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL.

"O quadro é chocante, a placitude do pai e filho de mãos dadas apreciando o trabalho da lavoura sendo destruído pelo próprio personagem. Instigante, por que faria isso?"

Assista ao vídeo e descubra!

Participe e colabore com a publicação deste livro!

Dennys Andrade 1 mês

ATO II - Mesopotâmia, das Letras às Leis

NARRADOR
Sem precisar se deslocar para buscar alimentos, o homem deixou de ser nômade e fixou raízes ao solo. Nas terras do “Crescente Fértil” ele aperfeiçoou as técnicas de irrigação e ampliou a agricultura. A produção de excedentes favoreceu o crescimento populacional e o florescimento do comércio. A crescente urbanização e os avanços tecnológicos levaram ao estabelecimento de sociedades urbanas cada vez mais complexas, organizadas em cidades-Estado politeístas com suas leis, classes sociais e governantes divinos.

CENA
Sacerdote Pársis caminha e encontra Fedímia a gritar. Ártos e Améstris caminham próximos e também se aproximam.

FEDÍMIA (Entra desconsolada) Agamenon morreu! Agamenon está morto!
PÁRSIS O que houve? Como foi que Agamenon morreu?
FEDÍMIA (Em prantos) A sua casa desmoronou, caiu sobre ele! Ele ainda gritou por socorro mas quando o retiraram de lá, ele... já estava morto.
PÁRSIS Eu conheço Agamenon. A sua casa foi levantada pelo mushkenu Bardiron ou por seu ajudante wardu ?
FEDIMIA Bardiron. Foi o próprio Bardiron.
PÁRSIS Pois tragam a mim Bardiron, o que construiu a casa de Agamenon!
ÁRTOS/AMESTRIS Sim, meu sacerdote! (Ambos fazem referência e saem, retornando com Bardiron)
BARDIRON Aqui estou meu Sacerdote, mandou me chamar?
PÁRSIS Sim Bardiron. Digam-me, foi você quem construiu a nova casa de Agamenon?
BARDIRON Sim meu sacerdote. Apesar das nossas brigas, tornamo-nos grandes amigos, tal qual Enkidu e Gilgamesh. Mas, por que a pergunta?
PÁRSIS Agamenon está morto.
BARDIRON (Mãos à cabeça) Que tragédia!!! Como ele morreu?
FEDÍMIA (Apontando para Bardiron) A casa que tu fizeste caiu sobre ele!
BARDIRON (Desconsolado) Não! Não...
PÁRSIS Bardiron, conheces teu castigo ?
BARDIRON (Respira fundo, pausa longa) – Sim... “se a casa que o construtor levantou caiu e causou a morte de seu dono, o construtor será morto. Caso o filho do dono morra, o filho do construtor será morto”...
PÁRSIS (Dirigindo-se à Fedimia) Apenas Agamenon morrestes?
FEDIMIA Sim, meu sacerdote.
PÁRSIS Pois levem Bardiron. Antes de dar a sentença eu quer ver o corpo frio de Agamenon.
ÁRTOS/AMESTRIS Sim meu sacerdote. (Ártos e Améstris saem, carregando Bartiron).

Dennys Andrade 1 mês

ATO VII - Renascimento, do Absolutismo à Burguesia

NARRADOR
O poder pela espada há muito se deslocou da aristocracia. Esta, não era afeita ao cultivo da inteligência – restrito aos clérigos, tampouco ao cultivo da terra – coisa de servos ou arrendatários, nem mesmo ao cultivo dos negócios – ocupação de judeus e burgueses. O fim das invasões bárbaras, a produção de excedentes e o crescimento populacional proporcionou o surgimento de um comércio incipiente. De pequenas feiras temporárias de dentro dos feudos, tornaram-se grandes, permanentes e transformaram o entroncamento das principais rotas, em verdadeiros Burgos. Nestas novas cidadelas fortificadas, de pessoas livres do jugo da nobreza, surgiu uma pequena elite burguesa economicamente independente, capaz de emprestar dinheiro aos reis e aos senhores feudais em dificuldades. O poder começou a mudar de mãos e a romper com as estruturas medievais.

CENA 1
Oliveira chega à oficina de Miguel, que trabalha sentado, esculpindo o anjo que Oliveira lhe encomendou, para entregar de presente ao pai de sua futura esposa.
MIGUEL Sr. Oliveira, que bons ventos o trazem à casa deste humilde amigo?
OLIVEIRA Deixe de modéstia Miguel, bem sabes que teu ego não faz jus ao teu talento.
MIGUEL És mui gentil Sr. Oliveira. Mas se viestes buscar a tua encomenda para o vosso casamento com a Marquesa Catarina, ainda não terminei.
OLIVEIRA Pois que se aprume Miguel. O tempo é curto!
MIGUEL Se queres que a arte iguale em beleza a virtude que procuras, não me apresse.
OLIVEIRA Decerto Miguel! Quero que todos vejam nela a expressão da minha virtude.
MIGUEL A plena expressão está na proporcionalidade Sr. Oliveira; de conseguir coordenar todas as partes da maneira correta. Afinal, Deus se apraz em todas as coisas, das grandes até os menores detalhes.
OLIVEIRA Está bem Miguel, não vou te atrapalhar. Sabes que não há beleza neste mundo que retribua o dote que receberei de minha amada noiva.
MIGUEL Por que se importas tanto em ser Marquês, Sr. Oliveira? Tens mais dinheiro do que toda esta nobreza junta. Que grandeza mais quer provar?
OLIVEIRA Caro Miguel, bem sabes que não tenho sangue judeu. Tampouco meus antepassados se ocuparam em qualquer tipo de ofício mecânico – desculpe -...
MIGUEL Não me ofende, não se preocupe.
OLIVEIRA ... e mesmo assim, me julgam como um inferior, não importa o quão rico eu seja.
MIGUEL A mim, basta a liberdade que tenho aqui no burgo e saber que todos estes culottes dependem de ti para viver, meu amigo.
OLIVEIRA