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Pesquisa para curar tumores cerebrais

Saúde

É possível curar alguns tipos de tumores cerebrais em humanos com a ajuda do vírus da zika? Nossa pesquisa para desenvolver um tratamento para tumores precisa da sua ajuda. Com a sua contribuição, podemos transformar uma doença grave em esperança para milhares e milhares de doentes terminais.

 

No ano de 2015, a convite da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), em meio ao surto de zika na região Nordeste do País, entrevistei quase 100 mulheres que haviam sido infectadas com o vírus da zika  enquanto estavam grávidas e tiveram filhos com microcefalia, doença em que o cérebro e a cabeça da criança são menores do que deveriam ser. Entretanto, mais de 90% das mulheres que foram infectadas durante a gestação nas regiões onde houve a epidemia  tinham tido filhos normais. Ficamos intrigados.

Ao aprofundar a pesquisa, ficou claro que o vírus apenas causava microcefalia nos bebês que tinham uma predisposição genética. As mães dos bebês afetados relataram apenas sintomas leves e passageiros ou às vezes nenhum sintoma. Ou seja: o vírus não era muito prejudicial para as mães e afetava apenas os cérebros dos fetos onde havia esta predisposição.

Veio então o estalo: o processo de multiplicação celular dos fetos nas barrigas de suas mães é semelhante ao do crescimento de tumores. Poderia o vírus da zika tratar tumores?

Voltei ao meu laboratório no Centro de Pesquisas em Genoma e Células-tronco (CEGH-CEL), do Instituto de Biociências da USP para tentar responder à questão. Junto com minha equipe, fizemos diversos experimentos até chegarmos, em 2017, aos testes nos quais injetamos o vírus da zika em camundongos com tumores cerebrais. Descobrimos que em um terço dos animais testados, a doença desapareceu completamente, inclusive as metástases. Nos outros dois terços, foi verificada uma redução significativa do tumor.

 

Os resultados são promissores, mas precisamos levar a pesquisa adiante. Como diretora do Centro de Pesquisas em Genoma e Células-tronco, conto com recursos substanciais  da FAPESP. No entanto, esta verba não pode ser utilizada para a contratação da equipe que trabalhará na pesquisa – como médicos, enfermeiros, veterinários e pessoal administrativo.

Ainda temos várias questões a serem respondidas antes de começar a tratar pessoas. Além disso, precisamos cultivar o vírus em condições que permitam seu uso clínico (livre de outros patógenos).

Nossa grande esperança é desenvolver um medicamento ou tratamento para tumores cerebrais em dois anos. Você pode nos ajudar!

 

A pesquisa é realizada pelos pesquisadores: Carolini Kaid, Ernesto Goulart, Luiz Caires e coordenada por Oswaldo Keith Okamoto e Mayana Zatz.

Mayana Zatz, é professora titular de Genética do Instituto de Biociências da USP. Foi pró-reitora de Pesquisa da USP (2005-2009). É coordenadora do Centro de Pesquisas sobre o Genoma Humano e células-tronco (CEGH-CEL)  e do Instituto Nacional: Envelhecimento e doenças genéticas. É membro da Academia Brasileira de Ciências e da Academia de Ciências dos Países em Desenvolvimento (TWAS) e presidente fundadora da Associação Brasileira de Distrofia Muscular. Ganhou vários prêmios nacionais e internacionais. Recebeu a Ordem Nacional de Grã-Cruz de Mérito Científico do Governo Federal e do Governo de São Paulo. Entre os prêmios internacionais, destacam-se o L’Óreal/Unesco para Mulheres na Ciência (2001), Prêmio TWAS em Pesquisa Médica (2004), Prêmio México de Ciência e Tecnologia (2008) e Prêmio Conte Gaetano por trabalhos sociais 2011).

Tem experiência na área de Genética, com ênfase em Genética Humana e Médica, atuando em biologia molecular com enfoque em doenças neuromusculares e pesquisas em células-tronco. Publicou 313 trabalhos científicos (outubro de 2018) que foram citados cerca de 17.500 vezes. Foi colunista da revista Veja, tendo publicado mais de 250 artigos científicos para leigos. É autora do livro “GenÉtica: escolhas que nossos avós não faziam”. Tem grande interesse em questões éticas relacionadas com o Genoma Humano, testes genéticos e células-tronco. Participou ativamente da aprovação das pesquisas com células-tronco embrionárias pelos parlamentares (2005) e Supremo Tribunal Federal (2008).

Além das pesquisas, tem um envolvimento importante no aconselhamento genético de famílias com doenças neuromusculares desde os anos 70. Já atendeu mais de 25 mil pessoas pertencentes a famílias de afetados. Desde 2015 tem pesquisado o impacto negativo e positivo do vírus da zika.

Muito obrigada. Sua colaboração faz uma grande diferença!


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Mayana Zatz
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