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Contribua com a vaquinha da Rafa! E ajude a denunciar a super desvalorização de pesquisadoras(es) no Brasil!
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Rafaella Machado
Vitória - ES
Vaquinha OnlineEducaçãoPesquisa
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O objetivo desta vaquinha é complementar a bolsa de estudos que conquistei, com nota máxima, para cursar parte do doutorado nos EUA, um país que eu não escolhi, mas onde uma professora maravilhosa me acolheu e aceitou orientar minha pesquisa.

Por que precisamos pedir ajuda para estudar?

Porque, apesar do último reajuste geral das bolsas da CAPES em 2023, o valor mensal da bolsa do Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE) está congelado há 16 anos, permanecendo em 1.300 dólares desde 2010. Em 2025, a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) enviou uma carta aberta ao governo federal, reivindicando um reajuste desse valor. O conteúdo da carta pode ser encontrado no site da ANPG ou no link: https://www.anpg.org.br/2026/06/sem-reajuste-ha-13-anos-bolsas-da-capes-levam-doutorandos-a-pedir-ajuda-financeira-para-estudar-no-exterior/

Além do valor extremamente defasado, não tenho direito ao “benefício” adicional de 400 dólares mensais para quem vai morar em cidades consideradas de alto custo. O fato é que vou para Boulder (Colorado), uma cidade com custo de vida 40% acima da média nacional. Infelizmente, isso acontece com muitos bolsistas do PDSE. 

Compartilho com vocês o meu pequeno desespero e a minha grande raiva, anexando os comprovantes das principais despesas. Eu não incluí a viagem ao Rio para a entrevista do visto, as roupas de neve e nem as taxas que foram pagas em reais. Acreditem ou não (e, se não acreditarem, é só olhar os comprovantes), mas eu preciso arcar com mais de 99 mil reais, enquanto a CAPES vai bancar apenas 77 mil.

Isso é um protesto!

Por tudo isso e mais um pouco, essa vaquinha é um PROTESTO CONTRA A DESVALORIZAÇÃO INSTITUCIONAL E SISTEMÁTICA DE PROFESSORAS(ES) E PESQUISADORAS(ES) deste país. Lecionar e pesquisar são dois caminhos ingratos e cansativos. Ano passado eu estava brigando com a SEDU, que negou meu direito à licença parcial para estudar. Hoje tenho que brigar com a CAPES, que simplesmente não deixa a classe trabalhadora estudar e sonhar. Esse texto é também uma denúncia de como as leis e as políticas públicas brasileiras podem ser perversas para quem realmente precisa produzir pesquisa por meio desses "incentivos", que eu chamo de trabalho mal remunerado mesmo (isso quando tem remuneração!). 

O tal "apagão de professoras(es)" é a ordem natural dessa lógica neoliberal que fincou suas garras na educação brasileira, resultando em sistemas de ensino básico que preferem se autoproclamar como “Escola do Futuro” só por causa de uns “óclinhos” xumbrega, a se comprometer com mudanças significativas, como diminuir o número de alunos por turma, aumentar o tempo de planejamento e melhorar nossos salários, só para começar. Outra expressão nefasta, usada para descrever doutoras e doutores que vão trabalhar em outro país, é a tal “fuga de cérebros”. Aproveito para criticar a audácia dessa mídia burguesa em continuar insinuando que pesquisadoras(es) utilizam dinheiro público para benefício próprio. Essa lógica só faz sentido para quem não acredita ou não entende que PESQUISA É TRABALHO e que EDUCAÇÃO NÃO É MERCADORIA. 

Antes de me apresentar melhor, quero dizer que eu não ia lançar essa vaquinha, pois já estava decidida a vender meu único bem: Berenice, minha Fusca 78. Depois de 3 anos reformando a bichinha com todo o carinho e poucos dias depois de anunciar sua venda, eis que veio a tragédia: Berenice pegou fogo no dia 19/09/26, e ainda não sei quanto tempo e dinheiro vou precisar para recuperá-la. Não se preocupem, pois não houve feridos: estávamos eu, uma amiga e um gato, que estávamos levando para tomar vacina. Mesmo assustada, consegui apagar o fogo antes que ele causasse estragos ainda maiores. Coloquei uma foto minha com Berê para vocês verem como ela é uma Fusca simpática.

Sobre a professora-pesquisadora

Sou aluna do Programa de Pós-Graduação em Linguística da UFES, onde comecei a graduação em Letras e Literatura da Língua Inglesa em 2005, cursei o mestrado em 2018 e tive a oportunidade de ser professora de Letras-Inglês em 2024. Mesmo trabalhando 65h por semana (40h na UFES e 25h na SEDU), consegui estudar para passar no doutorado em 2025, sempre focada na ideia de conseguir uma bolsa para poder me dedicar inteiramente à pesquisa, nem que fosse só por alguns meses.

Quero desabafar que muitas de nós, mulheres racializadas e/ou LGBTI+, fomos ensinadas a fazer nossos próprios corres nessa sociedade racista, machista e LGBTfóbica. Eu sempre digo que ser doutora é meu “sonho de princesa”, e não só pelo título ou pelo merecido aumento de salário que vem com ele, mas também para honrar minha mãe, que voltou a estudar e se formou professora, ainda na época do Magistério, para que eu pudesse estudar na escola particular em que ela trabalhava. Por esse e por vários outros motivos, ela foi minha primeira referência do tipo de pessoa e de professora que eu queria me tornar.

Escrevo esse texto para canalizar minha raiva, encarar meus medos e seguir teimando em ser professora, pesquisadora e militante em um país que ainda odeia professoras, a produção de conhecimentos e a incessante luta por justiça social.

Sobre a pesquisa

Desenvolvida em parceria com alunas, alunos e alunes de Letras-Inglês da UFES, o título da pesquisa é “A construção discursiva de gênero e sexualidade na formação linguística de professores de inglês”. Quero expor os retrocessos sofridos nos últimos 15 anos e provar que é urgente TORNAR OS ESTUDOS DE GÊNERO E SEXUALIDADE OBRIGATÓRIOS NO CURRÍCULO DA EDUCAÇÃO BÁSICA E SUPERIOR. Entendo que todo corpo ou desejo que não se curva a normas de ser no mundo começa a ser violentado por aquilo que falamos ou, talvez pior, por aquilo que deixamos de falar. Quero também mostrar que precisamos de políticas públicas para uma FORMAÇÃO QUALIFICADA DE PROFESSORAS(ES) sobre o tema, que considere e celebre todas as diferenças que habitam os corredores das escolas públicas Brasis afora.

Eu poderia dizer que escolhi desenvolver essa pesquisa porque passei o ensino médio escondida no armário no começo dos anos 2000. É claro que esse fato sobre mim foi um motivo importante, mas o que mexe mesmo comigo é lembrar de cada aluna, aluno e alune para quem tentei, do meu jeitinho, trazer algum tipo de conforto ou alívio ao longo dos meus 10 anos como professora de ensino médio na escola pública. O que posso e quero fazer hoje é essa pesquisa, e quero poder fazê-la com toda a dedicação que o tema merece.

Meus agradecimentos

Quero agradecer imensamente a todas as pessoas que puderem contribuir de alguma forma com esse movimento individual, mas que também é coletivo. Você pode fazer um Pix, pode compartilhar essa vaquinha ou, a minha opção preferida: você pode escolher assumir uma postura crítica ativa, que age cotidianamente na defesa de uma educação pública de qualidade e sensível às diferenças. 

Dizem que esse negócio de vaquinha funciona melhor quando criamos uma relação com quem vai doar. Minha estratégia é me expor por meio de uma produção artística literária subjetiva que, de modo íntimo e singular, é sempre capaz de traduzir um pedacinho da gente. O que quero dizer é que vou fazer o que sei fazer de pior na área de Letras: um poema. Esse eu escrevi pensando em como será, ou pelo menos como eu quero que seja, minha vida depois do doutorado, kkkkk. É porque a gente sonha em entrar, mas, quando entra, não demora muito até começarmos a sonhar em sair!  

E viva essa vontade, 
viva, 
que vive e se vira,
na utopia 
veloz e involuntária,
visceralmente vivida.

E viva essa vontade
viva, 
de ver 
e de ir,
ao novo,
ao velho,
ao voo
do devir.

Agora veja 
só você, 
que valente,
essa vontade,
sempre viva,
de voltar,
e viver.

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