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Tratamento psiquiátrico para minha mãe
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Tratamento psiquiátrico para minha mãe

Tratamento psiquiátrico para minha mãe

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Minha mãe sofre de esquizofrenia

Em 2012, eu e minha irmã a levamos para a emergência de uma unidade psiquiátrica pública. Segundo a psiquiatra, seu quadro, a partir do relato que fornecemos sobre os sintomas, foi considerado leve a moderado. Não se poderia fechar um diagnóstico, pois necessitava de um acompanhamento. Minha mãe foi medicada e fomos aconselhadas a não interná-la na unidade em questão, considerada inadequada. Recebemos a orientação para encaminhá-la a um Centro de Apoio Psicossocial (Caps). Não conseguimos vaga para um acompanhamento completo no Caps, que envolve um atendimento interdisciplinar com uma equipe multiprofissional através de atividades coletivas e individuais. Minha mãe era atendida apenas mensalmente pela psiquiatra, e passou a fazer uso de medicamentos. Ficou sob nossos cuidados e convívio durante, mais ou menos, quatro anos; mas logo esse período, abandonou o tratamento e a convivência conosco.

A esquizofrenia é um transtorno mental

que provoca diversas alterações no comportamento, no pensamento e nas relações. A ajuda de toda família é fundamental, pois a pessoa portadora deste transtorno é impossibilitada de avaliar seu próprio quadro.
Alguns sintomas estão relacionados a perda da realidade, a neutralização das emoções, afetando também o sistema cognitivo. O transtorno envolve delírios, alucinações, falta de motivação e problema de raciocínio e concentração.
Com um acompanhamento e tratamento adequados, uma pessoa portadora de esquizofrenia pode amenizar os sintomas do quadro que a transtorna, e conduzir uma vida mais tranquila. Não se sabe a causa da esquizofrenia, e há comprovação que se trata de uma doença hereditária – o que não é uma regra.

Vou contar um pouco da nossa história ao lado desta mulher/mãe,

dos desafios e das dificuldades enfrentadas para a aceitação da doença, e como atualmente estamos convivendo com a realidade da nossa vida.
 
Desde que somos crianças (eu, minha irmã e meu irmão) nossa mãe apresenta comportamentos estranhos no convívio. A casa foi tomando a forma do seu estado: ficando entristecida, desorientada, desequilibrada. Os sintomas cada vez mais acentuados: isolamento, excitabilidade, desconexão com a realidade, repetições de palavras e ações, mania de perseguição e alucinações.
 

A relação com nossa mãe foi perdida

Por que ela faz isso? Por que ela nos trata assim? Por que ela não é uma mãe como as outras? Desvinculada de nós durante muito tempo, tivemos o nosso pai, da forma mais amorosa que ele encontrou, sustentando e ofertando o melhor para suas filhas e seu filho.
No entanto, minha mãe nunca teve a oportunidade de compreender o grave quadro de sua saúde mental devido a falta de auxílio da família na condução dos cuidados necessários para iniciar um tratamento.  É importante a união e o comprometimento de todos; e o mais desafiador é a aceitação - não somente de quem é portador do transtorno, mas, principalmente, dos familiares envolvidos. Sabemos que cada um entrega o que pode, auxilia na medida de suas possibilidades. No entanto, o quadro da nossa mãe deixava claro, a muito tempo, a necessidade de cuidados específicos; e não foi proporcionado. E neste processo de não aceitação da doença vem culpa, medo, preconceito, incapacidade, frustração, vergonha, negligência. Mas não há culpados. A dor é de toda a família. E nem todos estão prontos para acolher a dor.
 
Crescemos, seu filho e suas filhas, acompanhando todos os sintomas sem entender o que acontecia. Nossa rotina tratava a doença como normalidade. E nessa ausência de cuidado por ela, nós fomos abandonados. Entre descaso, maus tratos, recusa e negligência, o quadro ia se agravando.
 

Até que ela se foi.

Sofremos a rejeição materna. Enquanto crianças não compreendíamos o que se passava, e nenhum diálogo era tecido em casa nem mesmo entre os outros familiares. Tentamos seguir nossas vidas e nos desprender dos arquétipos idealizados sobre a maternidade. Perdemos o contato, fomos separados de nossa mãe. E não houve resgate. Lembro que, quando pequenina ouvia Por causa de Você, por Dolores Duran, implorando na canção que ela voltasse. Recusou o convívio conosco e foi, aos poucos, se distanciando. Às vezes ela retornava, cada vez mais estranha para nós. E nossa rotina tratava a doença como normalidade. Passamos períodos longos sem vê-la. Ela dizia-nos, insistentemente, que não éramos seus filhos. Tentávamos visitar, nos reaproximar, mas uma fenda se abria e o vínculo foi rompido. Não concedia nossa presença nem nossa ajuda. O que fornecíamos, ela não podia ter o conhecimento que foi entregue por nós. Era tudo escondido. E isso durou muito tempo. 
 

Eu não sustentava o sofrimento

Quando entrei na faculdade, saí de casa e me afastei para cuidar de mim. Não suportava vê-la. Tive medo de sucumbir e adoecer, como ela. Vivi durante anos amargurada na culpa. Busquei terapias, mas a crença da rejeição e do abandono limitavam-me diante das decisões e das escolhas. Sabotei minha vida durante muito tempo.
 

Quando me tornei mãe

uma possibilidade de melhor convívio com minha mãe foi aceita. Ela gostou da neta. No entanto, a restrição no relacionamento se manteve. Morou comigo, mas foi muito sofrido para todos nós. Não me sentia amparada para conversar com ela sobre a sua saúde mental - a maternidade ocupáva-me intensamente, e estabeleci uma ordem dentro de casa para nos protegermos dos sintomas. E ela obedecia, contrariando a maneira como ela necessitava se comportar. Alguns meses depois ela não suportou e foi embora. As moradas da minha mãe eram variadas. A casa da minha avó (materna) ou casas alugadas subsidiadas pela minha avó. Anos depois, a minha avó adoeceu e passou a ter companhia de cuidadoras, impossibilitada de dar o suporte à minha mãe como fizera até então.

Em um episódio, o transtorno provocou um movimento doentio na família

ocasionado por uma crise. A doença, que até então havia se acomodado no ambiente familiar, criou um incômodo. Fomos acionadas (as filhas) de forma violenta, como nunca havia ocorrido. O medo se instalou. A família ficaram desnorteadas, preocupadas com a saúde da minha avó. Convidamos minha mãe, pressionados pela família, por diversas vezes, a morar conosco. Mas estar com a gente era algo nada querido por ela. E tudo aquilo não era novidade para nós. Conhecíamos desde crianças.

Pela primeira vez falamos com a família sobre a necessidade de um tratamento psquiátrico

Quando minha mãe deixou a companhia de minha avó e foi morar com a irmã dela, aproveitamos, eu e a minha irmã, do desvairio geral e pedimos ajuda. Mas o convívio, como era de se esperar, ficou inviável. Conversamos durante muito tempo, vários dias, mas ninguém nos apoiou.
 
Então, um acontecimento foi fundamental para trazermos minha mãe para perto de nós. Ela se sentiu rejeitada; e este descaso, que de fato ocorreu, a fragilizou, e ela aceitou nos acompanhar. De imediato, a levamos para uma emergência psiquiátrica, no ano de 2012.

Recomeçamos, eu e minha irmã

Propomos uma vida nova para todos nós, ao aceitar reencontrar nossa mãe e vê-la melhor. Recebemos o apoio de nossos companheiros e filhas, mesmo que pequeninas, a enfrentar o que, até então, não haviam feito por ela durante vinte e cinco anos: cuidar da sua saúde mental. E assim o fizemos. Queríamos ser parabenizadas? Não. Queríamos apoio e compreensão. Ninguém nunca se juntou a nós para perguntar se precisávamos de algo, nem perguntavam a ela como estava o tratamento ou sobre sua saúde mental. Minha mãe frequentava teatro, cinema, eventos, se aproximou cada vez mais das netas, nos chamava de filhas, e o nosso convívio foi se reestruturando.

Voltou a nos rejeitar e foi embora após quatro anos

Em uma visita a casa da minha avó foi solicitado que ela ficasse alguns dias. Ninguém acompanhou o uso do medicamento, e ao retornar para casa, os sintomas regressaram. Convencê-la a retomar ao tratamento e estar no nosso convívio ficou mais difícil. Passaram-se mais quatro anos, sem uso de medicamento, e recusa cada vez mais impetuosa.
 
O período em que minha mãe esteve em tratamento medicamentoso e consulta psiquiátrica não foram suficientes para conscientizá-la do transtorno. É necessário tempo, somado a um bom acompanhamento terapêutico, e apoio de toda a família.
 
Como ela nega o diagnóstico e a nossa presença, estamos considerando a internação ou um atendimento diferenciado com frequencia regular em que a família acompanha o tratamento promovendo um sentimento de mais segurança e conforto - o que irá depender de uma avaliação e orientação psiquiátrica.

Foram algumas buscas por locais que a acolhessem, mas devido a alta demanda no serviço público de saúde, associado ao reduzido número de vagas para mulheres, em caso de possível internação; e ainda, por conta da nossa impossibilidade em custear o tratamento via instituição privada, estamos promovendo esta campanha, pedindo doações para garantir os cuidados para a nossa mãe em uma clínica particular. Existem centros de saúde muito comprometidos na unidade pública, sim! Mas os recursos, muitas vezes, são escassos e precários, e os profissionais não recebem o apoio necessário para um melhor atendimento - e estamos confiantes que iremos também conseguir este apoio, inicialmente ou posteriormente. 

Tudo o que queremos é trazer de volta a qualidade de vida para a nossa mãe através do tratamento, e dar andamento ao processo de reintegração e cura da nossa família.
Desde já, abençoadas e abençoados sejam!
Gratidão!

 

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